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Ricardo Fraga da filial da Bahia venceu o Prêmio Científico da Casa da América Latina / Santander Totta, em Portugal

Parabéns, Ricardo, por essa importante conquista!



Veja abaixo a informação oficial da ECUM e o resumo da tese.

Doutorando da ECUM vence Prêmio Científico Casa da América Latina / Santander Totta
 
O Prêmio Científico Casa da América Latina/Santander Totta, criado pelo Banco Santander Totta e pela Casa da América Latina, tem por objectivo contribuir para o desenvolvimento de uma cultura de rigor e de excelência, estimulando e reconhecendo a formação de estudantes portugueses e latino-americanos em temas de qualquer natureza de interesse mútuo para Portugal e a América Latina ou que constituam a contribuição de estudantes portugueses para assuntos referentes à América Latina e vice-versa. Este Prémio visa distinguir a melhor dissertação de Doutoramento de um aluno oriundo de Portugal ou de um País da América Latina que tenha concluído o 3º ciclo numa Universidade Portuguesa ou Latino-Americana no âmbito dos estudos acima referidos. O Prêmio contempla duas categorias: (I) a "Categoria de Ciências Sociais e Humanas" e (II) a "Categoria de Tecnologias e Ciências Naturais".
 
O Júri de Atribuição do Prêmio Científico Casa da América Latina / Santander Totta, reunido em 27 de Julho de 2011, deliberou por unanimidade premiar, na categoria de Tecnologias e Ciências Naturais, Ricardo Galeno Fraga de Araújo Pereira, brasileiro, pela sua tese de doutoramento desenvolvida no Departamento de Ciências da Terra da Escola de Ciências da UMinho, sob a orientação do Prof. Doutor José Bernardo R. Brilha, intitulada "Geoconservação e Desenvolvimento sustentável na Chapada Diamantina". Este Doutoramento inseriu-se numa das linhas de investigação do Centro de Ciências da Terra da Escola de Ciências da UMinho.
 
A cerimônia de entrega do Prêmio terá lugar em Lisboa no dia 8 de Novembro.
 
Resumo da Tese:

A conservação de elementos do patrimônio natural constitui uma necessidade para a manutenção da qualidade de vida de todas as espécies que habitam o planeta Terra. Mais do que isto, a conservação destes elementos reveste-se de um valor científico incalculável, uma vez que eles guardam a explicação para origem e evolução deste planeta e de todas as formas de vida que nele habitam. É importante considerar que a conservação deste patrimônio, não consiste apenas em ações restritivas, mas o seu uso para o lazer, na forma do turismo, ou para fins educativos e científicos, pode contribuir para o fortalecimento de identidades territoriais e representar uma atividade geradora de renda, fomentando o desenvolvimento sustentável. O patrimônio natural é composto por elementos bióticos, que integram a biodiversidade, e elementos abióticos, que compõem a geodiversidade. Historicamente, todas as iniciativas voltadas para a conservação deste patrimônio estiveram focadas, na sua quase totalidade, na conservação dos seus componentes bióticos, de modo que a conservação da natureza acabou por ser quase que um sinônimo exclusivo desta vertente. Todavia, a conservação dos elementos de destaque da geodiversidade, cujo conjunto representa o patrimônio geológico, é conhecida por geoconservação e foi relegada a um papel menor, ou mesmo inexistente, dentro das temáticas de conservação da natureza. No final da década de 80, do século XX, a geoconservação começa a despontar no cenário mundial. Antes desta época, as iniciativas focadas na conservação do patrimônio geológico se davam de maneira esparsa ou isolada, e praticamente restrita ao continente europeu. Entretanto, após a criação da Global Indicative List of Geological Sites - GILGES, no ano de 1989, pela International Union of Geological Sciences - IUGS, esta temática começa a ser sistematizada e difundida em nível global.



A Chapada Diamantina é uma região situada na porção central do estado da Bahia, no nordeste brasileiro, dentro do contexto geológico do Cráton do São Francisco. Este território abriga uma geodiversidade constituída por um conjunto de rochas sedimentares, localmente com baixo grau de metamorfismo, de idade proterozóica, reunidas estratigraficamente nos Grupos Rio dos Remédios, Paraguaçu, Chapada Diamantina e Una. Sobre estas rochas se desenvolveram relevos serranos, planaltos e sistemas cársticos, que hoje em dia representam importantes atrativos turísticos. Para além disto, esta geodiversidade guarda informações importantes para a compreensão da evolução geológica do planeta Terra, desde o Éon Proterozóico. No âmbito desta tese de doutoramento foi realizado um inventário do patrimônio geológico da Chapada Diamantina, que resultou em um levantamento de 40 geossítios, na sua maioria de interesse geomorfológico. Em seguida estes geossítios foram sujeitos a uma valoração, através de uma proposta de metodologia baseada em quatro categorias de valores: intrínseco (Vi), científico (Vci), turístico (Vt) e de uso e gestão (Vug). A partir destes valores foram calculados os usos potenciais para fins científicos (VUC), turísticos (VUT), de conservação (VC) e a Relevância (R) dos locais inventariados. Para os locais que obtiveram VC acima da média obtida para o conjunto de geossítios, foram propostas ações de interpretação, valorização, divulgação e monitoramento. Estas ações integram um plano de geoconservação, cuja implementação poderá contribuir para a criação de geoparques. Neste sentido, foi também proposta, no âmbito deste plano, uma metodologia para a delimitação destas unidades, baseando-se na interseção dos limites municipais, com os limites geológicos, estruturais e morfológicos da Chapada Diamantina. Como resultado desta metodologia propôs-se a criação de três geoparques na região. O plano de geoconservação e a proposta para criação de geoparques deverão contribuir para conservação, valorização e promoção e do património geológico da Chapada Diamantina. Estas propostas também vão contribuir para a criação de alternativas sustentáveis de geração de renda através do geoturismo, favorecendo a consolidação do desenvolvimento sustentável naquele território e o fortalecimento da sua identidade cultural.


12/2011
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