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O Problema da seca do Nordeste brasileiro em jornal suiço

O projeto de dessalinização de água no Sertão nordestino, promovido pela parceria entre o Grupo Ecogeo e a empresa Trunz Water Systems é notícia até lá fora, no jornal suiço NZZ. Interessante artigo descreve o problema da seca, que a muito tempo castiga os moradores da região, causando perdas e subdesenvolvimento, além de históricos conflitos. Cita em seu texto, a solução "faraônica" para a região, que já vinha sendo estudada desde os tempos do império de Dom Pedro II, e que só recentemente começou a ser colocada em prática: a transposição do Rio São Francisco. Compara essa solução com o equipamento testado pelo Grupo Ecogeo para o fornecimento de água potável para a população.

Leia abaixo tradução do texto original em alemão. Clique aqui para ver o original da NZZ.


Esperando água no Sertão
Um projeto gigantesco de irrigação deve melhorar o solo no Nordeste

Jornal Neue Zürcher Zeitung (NZZ), Suiça
Sexta-feira, 31 de dezembro de 2010.
Artigo de Tjerk Brühwiller

Dois canais abastecerão o árido nordeste brasileiro com água. A esperança da população é grande enquanto os críticos temem que, sobretudo, grandes companhias agrícolas sejam beneficiadas pelo projeto.

José Rone da Nóbrega Dantas, um nordestino que vive na região, abre a torneira, enche o copo e delicia-se com cada gole. “Água pura para beber”, diz ele apontando para uma pequena casinha de onde se ouve um zunzum. Em pouco tempo se forma uma multidão de pessoas ao seu redor. Todas querem ver como funciona esta máquina moderna que veio da Suíça há poucas semanas, que transforma água salobra do poço em água potável e que funciona com energia solar (veja texto na caixa abaixo). Copo após copo é cheio com esta bebida tão escassa no Nordeste, mas que agora jorra em volumes enormes.

Vida dura

Estamos na comunidade Barra, um vilarejo de agricultores, um pouco fora da cidadezinha de Santa Luzia, na Paraíba, no meio do Sertão, um lugar muito seco no interior do Nordeste brasileiro. O solo entre arbustos e cactos é empoeirado. Umas vacas magras ficam na sombra de uma mangueira onde só têm para comer algumas poucas folhas de capim. Por meses não cai uma gota de chuva nessa região. A água que se acumula em reservatórios e açudes durante o período de chuvas, não dura muito, e o que dura fica podre. Também a água do lençol freático não serve, pois é muitas vezes tão salgada que até o gado a rejeita.

Em nenhum lugar do Brasil a taxa de mortalidade infantil é tão alta quanto no Sertão. Em nenhum outro lugar as condições de vida são tão difíceis. Desde sempre as pessoas deixam esta região castigada pelas secas e migram para as cidades costeiras ou para o Sul do país. Mesmo assim o Sertão é uma das regiões secas do mundo com a maior densidade populacional.

A seca, tema de muitas canções populares brasileira, define a dura vida no Sertão. José Rone também conhece a sede e o desespero. O economista de 36 anos, que hoje trabalha para o município Santa Luzia, vem de uma família de agricultores. Junto com seu pai e seus três irmãos, ainda hoje cuida de uma pequena roça. “Isso pode dar certo por alguns anos, mas assim que termos uma época com pouca chuva, tudo será destruído novamente”, conta ele.

Quando ainda era garoto, uma seca de sete anos levou a família dele à beira da ruína. “Tudo era destruído. No final nos restaram três vacas. “Essa insegurança torna qualquer desenvolvimento praticamente inviável aqui”, explica José Rone apontando para uma plantação de papaia totalmente seca na colina oposta. “O proprietário não tinha mais água”, explica ele, “a maioria das 4.000 árvores foram perdidas.”

O Sertão sempre foi o ”primo problemático” do Brasil. Já no século XIX o imperador Dom Pedro II refletiu sobre um jeito de levar água aos latifúndios do Nordeste durante os períodos de seca para possibilitar uma economia de subsistência sustentável na região. Um plano arrojado foi delineado: por meio de um gigantesco canal onde a água do rio São Francisco, mais ao Sul, o segundo maior rio do Brasil, seria levada para o norte do Sertão. O projeto, na época inviável devido a razões técnicas, foi várias vezes reestudado e desenvolvido mais tarde, porém nunca realizado. Foi, não por acaso, durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele mesmo um filho do Sertão, que o caminho desta obra faraônica foi aberto e foi dado o sinal de partida para as obras de construção civil em 2007.

A assim chamada transposição do Rio São Francisco prevê a construção de dois canais com um comprimento de 402 e 220 km. Os canais sairão do Rio São Francisco em direção ao norte, onde abastecerão diversos lagos com barragem e alimentarão leitos de rios já existentes, como uma rede de aquedutos. Para isto serão desviados do Rio São Francisco constantemente 26,4 metros cúbicos de água por segundo (aproximadamente 1,5%). Em períodos de cheias do São Francisco, a água desviada pode chegar a 127 metros cúbicos por segundo, no máximo.

Devido às características do terreno, as obras são muito dispendiosas. Além de pontes e túneis precisam ser construídas diversas estações de bombeamento e reservatórios para transportar a água. Aproximadamente 800 famílias terão que ser transferidas para as chamadas agrovilas, as novas comunidades agrícolas. Atualmente, 8.000 trabalhadores mais as tropas especiais do exército estão ocupados com as obras da transposição, cujo preço está estimado em 4,6 bilhões de Reais (2,7 bilhões de francos suíços). Outros 2,4 bilhões de reais vão para programas sociais e ambientais para dirimir o impacto do projeto. A revitalização do Rio São Francisco e de suas afluências, cuja condição piorou significativamente nos últimos anos devido ao uso intensivo do solo, também faz parte das providências paralelas. 

Altas expectativas

Garantir o abastecimento de água nos centros urbanos e nas centenas de pequenas comunidades no nordeste e mitigar os conflitos em torno da falta de água é o principal motivo da transposição, ao mesmo tempo em que o Governo espera impulsionar a econômia, a agricultura e a indústria, da região. A partir de 2025, quando o sistema de abastecimento estiver completo e em funcionamento, 12 milhões de pessoas em 390 comunidades serão beneficiadas pela transposição.

Uma das comunidades beneficiadas é a de Monteiro. A cidade a uns 150 km ao sul de Santa Luzia, na fronteira com o estado de Pernambuco, é conhecida pela sua criação de cabras e pelos seus músicos e poetas. Um deles escreve: «Eu vi mancha no carreiro, vai ter chuva no sertão». Porém, as manchas na estrada que sai da cidade não têm nada a ver com a chuva tão esperada, e mesmo assim elas anunciam a água. São as marcas dos pneus dos caminhões e escavadeiras que estão trabalhando na região. Com persistência essa frente de obras avança no terreno, dinamitando, escavando para abrir o caminho ao longo do eixo Leste da transposição. Ainda faltam 20 km até Monteiro, onde o canal desembocará no Rio Paraíba.

A transposição é, portanto, o tema número um nas conversas em Monteiro. Seja com quem você puxa conversa sobre o projeto, todos são informados e aliam grandes esperanças à transposição. Clemilda Inácio do Centro Comunitário para o Desenvolvimento Agrícola explica o entusiasmo da população: “As pessoas aqui dependem boa parte do tempo de caminhões-pipa que trazem água à cidade”, conta ela “e não há garantia de entrega.” Não surpreende, portanto, que o índice de desenvolvimento de Monteiro, igual o da maioria das comunidades no nordeste, está localizado no último quinto do ranking nacional. Não há empreendimentos industriais, o desemprego é alto e muitas famílias dependem do programa governamental bolsa-família. “Quem vai querer investir aqui?, lamenta Clemilda Inácio, como todos os habitantes de Monteiro espera que os problemas serão dissolvidos graças à transposição.

A favor dos grandes

Nem todos enxergam a transposição sem olhar crítico como a maioria dos habitantes de Monteiro. Um dos primeiros que se opôs ao projeto é Luiz Flávio Cappio, bispo de Barra no estado Bahia. Duas vezes este franciscano de 64 anos, cujo protesto é apoiado pelo movimento sem-terra e inúmeras organizações, fez greve de fome para barrar o projeto. “O plano do governo é inaceitável tanto econômica como social e ecologicamente”, ele critica, “porque não será a população carente, mas os grandes latifundiários e as companhias agrícolas que mais se aproveitarão da água.” De fato, uns 70% da água desviada devem abastecer a indústria de irrigação e, como isso, apoiar a produção de produtos para exportação. Além do mais é questionável se os agricultores rurais possam pagar o preço da água da transposição que, devido aos altos custos de manutenção dos canais e do sistema de distribuição, deve ser a mais cara do Brasil. Nos diversos estados já estão sendo discutidas medidas para manter o preço da água dentro de uma faixa tolerável.

Especialistas supõem que, com o desenvolvimento, cedo ou tarde acabe acontecendo o que já aconteceu em outras regiões: “Grandes companhias agrícolas comprarão as terras que ficarão cada vez mais caras com a irrigação”, diz Rubens Tadeu, engenheiro agrícola da Secretaria de Agricultura do Estado da Paraíba, lembrando que foi exatamente isso que aconteceu no Rio São Francisco quando a economia de irrigação foi instalada lá. “Em 15 anos teremos latifúndios de grandes companhias agrícolas no meio do Sertão”, diz ele, convencido, “e não acredito que isso geraria muitos empregos e o desenvolvimento econômico”.

Ainda que o projeto seja em princípio apoiado, a população da comunidade de Barra em Santa Luzia não aposta tudo na transposição. “Um aqueduto é previsto para a cidade”, diz José Rone da Nóbrega Dantas, “mas dificilmente a água chegará aqui à comunidade.” Muitas outras comunidades no Sertão terão o mesmo destino. Porém, na comunidade Barra ninguém está preocupado, porque, desde a demonstração da planta de tratamento de água, movida a energia solar, todos sabem que existem soluções autônomas e sustentáveis para o problema da água. “Não é um paradoxo?”, constata José Rone, enquanto enche mais um copo com água cristalina “o mesmo sol que resseca tudo aqui agora ajuda a gente para produzir água potável.”
 

Uma máquina que oferece ajuda ao desenvolvimento
 
Constrói-se uma máquina que produza a sua própria energia e ainda trate água. Foi essa ideia tão simples quanto genial que a empresa Trunz, sediada na pequena cidade de Steinach, na Suíça, colocou em prática. Após o desenvolvimento de um protótipo, a empresa familiar começou há três anos a comercializar projetos de máquinas para tratamento de água movidas a energia solar e eólica, sobretudo em países emergentes e em desenvolvimento. 

São 450 projetos em mais de 30 países que já estão em funcionamento. E a demanda ainda não é saturada, como demonstra o exemplo Brasil, onde o equipamento está sendo testado e apresentado em diversos locais como parte de um projeto da organização interministerial para energias renováveis - Repic. “Enxergamos um grande potencial para o equipamento, sobretudo no Nordeste do país”, diz Ralph Hangartner, diretor executivo da Trunz “porque esta região abriga muitas comunidades isoladas que não dispõem de abastecimento confiável com água e energia elétrica. É exatamente para esse ambiente que desenvolvemos o sistema.”

Conforme o Grupo Ecogeo, parceiro da Trunz no Brasil, o equipamento chama a atenção das autoridades locais e regionais. A razão é evidente: a máquina, capaz de tratar 20.000 litros de água por dia, oferece, em comparação a projetos operosos de infra-estrutura, uma opção simples e rápida de levar água potável a lugares afastados.

Adicionalmente, o equipamento é relativamente barato. O sistema com bomba, filtros, planta de tratamento e de energia solar, usado no Brasil, tem um preço de aproximadamente 60.000 francos suíços (100.000 Reais). 1% do dinheiro que o governo brasileiro investe na transposição do Rio São Francisco seria, portanto, suficiente para financiar 450 equipamentos desses.

 

 


12/2010
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